Com assento no Conselho Municipal de Trânsito (CMT), a Câmara Municipal de Maceió votou contra o percentual de 8,5% como reajuste do valor da tarifa dos coletivos da capital alagoana, concedido em reunião que aconteceu nesta quarta-feira (7), na sede da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Com nove votos a favor e dois contra, o valor da tarifa passa dos atuais R$ 3,50 para R$ 3,80 se o percentual for sancionado pelo prefeito Rui Palmeira (PSDB).

A informação foi dada pelo vereador José Márcio Filho (PSDB), que representa a Casa no Conselho. Além de ter se posicionado contrária aos 8,5%, a Câmara espera o bom senso do Executivo para que não sancione o reajuste concedido.

De acordo com o presidente do Legislativo municipal, Kelmann Vieira (PSDB) o retorno das discussões e aprovação dos reajustes de tarifa do sistema de transporte público da Capital será um dos temas a ser debatido, neste primeiro semestre pela Câmara de Vereadores. “Esta é uma situação que precisa ser amplamente discutida, não pode ficar limitada apenas ao Conselho, e o Poder Legislativo é sim o colegiado ideal para isso, já que podemos realizar audiência pública e convoca a sociedade para um amplo debate, antes da aprovação de qualquer aumento”, explicou.

“É preciso entender que mesmo sem o reajuste de 8,5%, o atual valor da tarifa já está acima da capacidade do que a maioria dos usuários do sistema pode pagar. Além disso, analisando as planilhas apresentadas pelas empresas, detectamos que o percentual para um reajuste poderia ser abaixo do que foi proposto e do que foi aprovado na reunião do Conselho Municipal de Trânsito, sem inviabilizar economicamente as empresas”, declarou José Márcio Filho.

O Sindicato das Empresas de Transporte Urbanos de Passageiros de Maceió (Sinturb) já havia divulgado que o aumento deveria corresponder a 15%, subindo a tarifa para R$ 4,02.

Kelmann Vieira afirmou que reconhece o avanço nos serviços prestados, principalmente após o processo de licitação, mas ainda há muito em que avançar. “Não há como não reconhecer que a licitação feita pelo Executivo trouxe melhorias para o transporte público em Maceió. Porém, as reclamações da população com falta de ônibus, coletivos lotados e a demora em pontos para pegar o transporte são aspectos que depõem contra o setor. Além disso, falta conforto. Moramos em uma cidade cuja temperatura é alta e os coletivos, mesmo com a passagem a R$ 3,50 não possuem ar-condicionado. Por tudo isso, como disse o vereador José Márcio Filho, a Câmara votou contra o percentual e vai trabalhar para que o processo de discussão da tarifa volte a ser uma atribuição da Câmara, como era antes da criação do Conselho em 2009”, afirmou.

“É um anseio de inúmeros segmentos da sociedade maceioense e este será um dos temas que vamos abordar no retorno dos trabalhos a partir do dia 15 deste mês”, completou José Márcio Filho.