“A intolerância religiosa e o desrespeito à entidade familiar tradicional na atualidade” foi tema de audiência pública na manhã desta quinta-feira (14), na Câmara Municipal de Maceió. O debate foi proposto pelo vereador Dudu Ronalsa (PSDB) e reuniu representantes de várias religiões, credos e profissionais de diversas áreas.

Ao abrir a audiência, o parlamentar informou que projeto de lei de sua autoria busca coibir os atos de intolerância. Porém, destacou que a matéria tem como limite a cidade de Maceió e disse que mobilização no sentido de fazer chegar à bancada federal solicitação para que a lei seja ampliada no País, será iniciada. A proposta é que a Câmara Federal aprove matéria com o mesmo teor, de forma ampla e rigorosa, como afirma o parlamentar. “Se não tomarmos providência, vamos estar achando que isso é normal, e não é”, afirmou.

Mãe Neide Oyadoxum, do grupo União Espírita Santa Bárbara, lembrou da perseguição em massa às religiões de matriz africana, principalmente no ano de 1912 (o Quebra de Xangó), que em Alagoas teve como uma das vítimas Tia Marcelina, uma ex-escrava africana, morta a cacetadas e o terreiro destruído. “Oxalá que um dia a gente possa entender que não somos melhor do que o outro. Não estou aqui para defender o meu terreiro, nem religião. Estou aqui para defender a paz. Enquanto a gente está brigando, estamos esquecendo o nome de Deus, o amor ao próximo. Que sejamos instrumento desse amor universal”, afirmou.

O pastor Francisco de Assis Vasconcelos, da Igreja Batista, disse que “se nós, líderes, começarmos a verdadeiramente ensinar a questão dos direitos humanos aos nossos liderados, tudo fica mais fácil”.